Aceitar não é concordar

Aceitar algo não significa dizer que foi certo.

Nem significa que aquilo não doeu.
Nem que foi justo.
Nem que deveria ter acontecido.

Aceitar, aqui, não é aprovação.

É outra coisa.


O que muitas pessoas confundem

Quando se fala em aceitação, é comum surgir uma resistência.

Como se aceitar fosse concordar.
Como se fosse validar o que aconteceu.
Como se fosse dizer que está tudo bem.

E, diante disso, a pessoa se fecha.

Porque, de fato, nem tudo está bem.

Existem situações que não foram justas.
Que machucaram.
Que deixaram marcas.

E tentar aceitar isso pode parecer errado.

Quando resistir parece necessário

Em alguns momentos, resistir ao que aconteceu pode parecer uma forma de proteção.

Como se não aceitar fosse uma maneira de manter aquilo em evidência.
Como se soltar significasse diminuir a importância do que foi vivido.

E, por isso, a mente continua insistindo.

Continua revisando.
Continua questionando.
Continua tentando encontrar uma forma de “corrigir” o que já passou.

Mas essa resistência não mantém a justiça.

Ela mantém o desgaste.


A luta para mudar o que já aconteceu

Quando algo não é aceito, a mente continua tentando resolver.

Revendo o que aconteceu.
Pensando em como poderia ter sido diferente.
Tentando encontrar uma forma de mudar o passado.

Mas existe um limite.

O passado não pode ser alterado.

E, ainda assim, a mente insiste.

Essa insistência não traz solução.

Traz desgaste.


Aceitar é parar de lutar com o que não muda

Aceitar não é dizer que foi certo.

É apenas reconhecer que aconteceu.

Sem tentar mudar.
Sem tentar corrigir.
Sem tentar reescrever.

É um movimento interno.

Um ponto em que você para de gastar energia tentando alterar algo que já passou.

E, quando essa luta diminui, algo muda.


O corpo sente quando a luta diminui

A aceitação não acontece só na mente.

Ela aparece no corpo.

A respiração desacelera.
A tensão diminui.
O estado de alerta reduz.

Não porque tudo ficou bem.

Mas porque você deixou de lutar com algo que não pode ser mudado.

E essa pausa traz um tipo diferente de alívio.


Aceitar não apaga a dor

Aceitar não faz a dor desaparecer.

Ela pode continuar ali.

Em alguns momentos mais forte.
Em outros mais leve.

Mas a relação com essa dor muda.

Porque ela deixa de ser acompanhada pela resistência constante.

E isso faz diferença.

A diferença entre sentir e resistir

Existe uma diferença importante entre sentir a dor e resistir a ela.

Sentir permite que a experiência exista.
Resistir mantém a mente presa ao que não pode ser mudado.

Quando você sente, o processo se move.
Quando você resiste, ele se repete.

E, muitas vezes, o que mais cansa não é a dor em si.

É a tentativa constante de não aceitar que ela aconteceu.


Você não precisa concordar para seguir em frente

Essa é uma parte importante.

Você não precisa concordar com o que aconteceu.

Não precisa achar justo.
Não precisa aprovar.
Não precisa justificar.

Pode continuar achando difícil.
Pode continuar sentindo.
Pode continuar tendo limites em relação àquilo.

E, ainda assim, seguir em frente.


Quando algo começa a se soltar

Quando a aceitação começa, mesmo que pouco, algo se solta.

A mente para de repetir com tanta intensidade.
O corpo relaxa um pouco mais.
A experiência deixa de ser tão pesada.

Nada muda externamente.

Mas internamente, algo começa a se reorganizar.


Um processo que acontece aos poucos

A aceitação não precisa acontecer inteira.

Ela pode vir em partes.

Um momento em que você não revisita tanto o passado.
Outro em que não tenta entender tudo.
Outro em que simplesmente deixa como está.

Esses pequenos momentos já fazem diferença.

E, com o tempo, se tornam mais frequentes.

A aceitação como um ponto de descanso

Aceitar não resolve tudo.

Mas cria um ponto de descanso.

Um momento em que você não precisa lutar com o passado.
Não precisa entender tudo.
Não precisa reorganizar cada detalhe.

Apenas deixar como está.

E, mesmo sendo simples, isso já traz um tipo de alívio.


Um convite ao que é possível

Talvez hoje você não consiga aceitar tudo.

E tudo bem.

Mas talvez exista um pequeno espaço.

Um momento em que você possa apenas reconhecer:

“isso aconteceu.”

Sem justificar.
Sem romantizar.
Sem concordar.

Apenas reconhecer.

E, a partir daí, seguir.


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