Um convite à gentileza consigo

Se existe algo que este diário deseja cultivar, é isso: gentileza.

Não a gentileza que aparece para os outros.
Nem a que precisa ser vista.
Nem a que se transforma em esforço.

Mas aquela silenciosa.

Íntima.
Quase invisível.
Que acontece na forma como você se trata quando ninguém está olhando.


A gentileza que não chama atenção

Nem sempre a gentileza aparece de forma evidente.

Ela não precisa de grandes gestos.
Nem de mudanças imediatas.
Nem de decisões marcantes.

Às vezes, ela surge em detalhes.

Na forma como você fala consigo.
Na forma como responde ao que sente.
Na forma como lida com o próprio cansaço.

E, por ser discreta, pode passar despercebida.

Nem sempre é natural se tratar com gentileza

Para muitas pessoas, a gentileza consigo não é algo automático.

Pelo contrário.

Pode parecer estranho.
Desconfortável.
Até inadequado.

Como se fosse errado não se cobrar tanto.

Como se estivesse faltando algo.

Isso acontece porque, por muito tempo, a relação interna foi construída com base na exigência.

E tudo o que foge desse padrão leva um tempo para se tornar possível.


Quando você deixa de se violentar internamente

Gentileza também é parar de se tratar com dureza.

Não se criticar o tempo todo.
Não se pressionar além do necessário.
Não transformar cada erro em motivo de punição.

É reduzir a violência silenciosa que, muitas vezes, acontece por dentro.

E isso muda a forma como você vive o que sente.


Não se apressar para “ficar bem”

Existe uma pressa constante em melhorar.

Em resolver.
Em superar.
Em deixar de sentir o que dói.

Mas nem todo processo acontece rápido.

E se apressar pode criar mais tensão.

Gentileza também é permitir o tempo.

Sem exigir que tudo esteja resolvido agora.

O tempo também precisa ser respeitado

Nem tudo se reorganiza rápido.

Nem tudo se transforma com clareza.

Algumas mudanças acontecem de forma silenciosa.

Quase imperceptível.

E, quando existe pressa, esses movimentos são interrompidos.

Gentileza também é permitir que o tempo faça parte.

Sem exigir respostas antes que elas existam.


Tratar a si como trataria alguém que ama

Se alguém próximo estivesse passando pelo que você está vivendo, talvez você tivesse mais cuidado.

Mais paciência.
Mais compreensão.
Mais espaço para o tempo da outra pessoa.

Mas, quando se trata de você, esse olhar nem sempre aparece.

Gentileza é trazer esse cuidado para dentro.


Quando não dá para fazer mais

Nem sempre você vai conseguir avançar.

Nem sempre vai conseguir entender.
Nem sempre vai conseguir mudar.

E tudo bem.

Existem dias em que o possível é menor.

E respeitar isso também é um gesto de cuidado.

Existe valor no que você consegue fazer hoje

Nem sempre o que você consegue fazer parece suficiente.

Pode parecer pouco.
Pode parecer mínimo.
Pode parecer que não está avançando.

Mas o que é possível hoje tem valor.

Mesmo que seja apenas continuar.

Mesmo que seja apenas não piorar.

Mesmo que seja apenas existir com mais cuidado.


Existir também é suficiente

Talvez você não consiga perdoar.

Talvez não consiga agradecer.

Talvez não consiga transformar o que sente em algo leve.

Mas talvez consiga existir.

Respirar.
Seguir o dia com o que é possível.
Não se exigir além disso.

E isso já é suficiente.


Um movimento silencioso

A gentileza não precisa ser constante para ser real.

Ela pode aparecer aos poucos.

Em momentos isolados.
Em pequenas escolhas.
Em ajustes sutis na forma como você se trata.

E, com o tempo, isso se fortalece.


Um espaço mais humano

Quando a gentileza começa a existir, o ambiente interno muda.

Fica menos rígido.
Menos exigente.
Menos pesado.

E isso não resolve tudo.

Mas torna o processo mais possível.


Um convite simples

Hoje, o convite não é grande.

Não exige mudança radical.
Não pede transformação imediata.

Apenas um pequeno ajuste.

Ser um pouco menos duro consigo.

Um pouco mais atento.
Um pouco mais respeitoso com o que você sente.

Gentileza também é um aprendizado

Assim como outros movimentos internos, a gentileza consigo também é aprendida.

Ela não precisa surgir pronta.

Pode ser construída.

Aos poucos.
Com tentativas.
Com ajustes.

E, mesmo que ainda não seja natural, ela pode começar.


Caminhar sem pressão

Este diário não exige respostas prontas.

Não pede evolução constante.
Não define prazos.

Ele apenas caminha ao seu lado.

Sem pressa.
Sem cobrança.
Com respeito.


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